Meus Guardados
Meus Guardados"O que não conseguimos não vale a pena possuir".
O Rato,
No filme Amigos para Sempre
Não sei se quero ter qualquer coisa mais, talvez queira. Olho para meus guardados, meus livros, meus tratados, e penso que as pessoas tenham, todas, suas coisas preferidas, seus travesseiros de paina e seus discos de vinil. Não sei mesmo se quero ter qualquer coisa mais.
Mas quero seguir em frente, isso eu quero! Quero tentar as coisas desistidas e que acho que consigo. Não quero mais que isso, só o que possa conseguir com tranqüilidade e afeto.
Ah! Doce afeto, vale a pena visitá-lo em grupo. Vale querer um violão, como me conta o Jener que quer, menino Jener que descobre a vida. Quer um violão, veja você, dentre o tudo que podia querer, quer um violão.
Fico imaginando seus dedos tentando tocar, curvados sobre as cordas, se esforçando com esforço de um recém-artista. Quer tocar pra Deus, imagino, e Deus, cochicho eu com meu patrão, o Senhor não vai me dizer que não gosta de música, ah não! Eu ia ficar muito decepcionado!
Quer um violão e eu um livro, outro um cordão e aquele um disco, cada qual quer o seu querer. Não é pecado, de certo, senão Deus fica sem graça, não vê motivo pra sorrir se ninguém faz serenata nem escreve poesia.
Então pode querer, meu amigo, mas devagar, feito caracol, que caracol, não parece, mas quer muito subir, quer muito chegar Lá. Pode querer que pode, Deus deixa, Deus até acha bom, dependendo de sua querença.
Mas aí fico pensando: será que tem lá, nos anotados do supremo, coisa que não se deva querer, que seja pecado sem permissão de perdão? Deve ter, deve ter...
Deve ser assim. Quando queremos, Deus examina nosso coração. Sem dizer palavra, faz perguntas que nem entrevista de emprego, revira nosso querer do avesso, procurando a razão.
Se tem santo, pros que tem santo, deve reunir meia dúzia e pedir uma junta, examinando seu querer. Se não tem, deve dar jeito com anjo mesmo e chegar à conclusão, recitando em poesia:
Esse cara quer brinquedo,
quer casa ou quer passeio,
quer estudo e quer dinheiro
pra pagar a prestação.
Este outro quer remédio,
que jeito,
quer um terno, um sapato,
'inda um outro quer mansão.
Tem quem queira um jeep,
um carro, uma carona,
e outro que só quer condução.
Tem um tal que quer um sítio,
um bode, um cachorro,
um telefone e um almoço,
e tem até o tal Jener,
esse tal do violão.
Separa aqui meu funcionário,
desse lado, que desse eu cuido,
o que quer e eu não atendo.
Do outro lado se apressa,
põe em fila e, concedendo,
se esmera na sua missão.
Esses aí, do seu lado,
atende a todos,
pois que amam,
querem muito e pra muitos,
querem,
Mas do fundo do coração!
Amizade Colaboração Educação Fé Felicidade
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1 de Abril de 2008