Limitados ou Questionadores?
Limitados ou Questionadores?A pergunta não foi postada no blog. Veio por email, da amiga que caminha comigo já faz tempo.
Quem me conhece sabe: quero quaerere. Quero perguntar o porquê das coisas.
Outro dia eu disse pra ela que, hora ou outra a gente precisa ser limitado, tacanho mesmo.
Ela pensou que eu pirei geral.
Funciona assim:
Uma equipe que trabalha junta, tem que ter senso de consequência, e isso desde que o mundo é mundo. Era sair da caverna para a caça e dormir no caminho, morria eu, morria tu, até o rabo do tatu, todo mundo de fome.
Consequência para todos.
Daí que é preciso pensar no outro, cuidar do outro e do bem que nos une, o BEM COMUM.
Querida amiga, vai aí uma historinha para ilustrar:
Era uma vez um Tamanduá que, como todos os tamanduás, adorava formigas.
Mas ele adorava mais.
Na floresta em que ele morava não tinha para outro tamanduá. Toda formiga que passeasse fora do buraco e lá estava ele, comendo antes dos outros e tudo dos outros.
Um dia sua mãe reclamou:
_ Meu filho, deixa formiga para os outros. Todos precisam comer e todo mundo tá morrendo de fome.
Porque é que você não pensa nos outros?
Porque não pensa em guardar uma formigazinha para o inverno?
Porque não pensa na sua saúde?
Porque não pensa na educação que eu te dei?
Porque não come devagar?
E tome porque e porque isso e porque aquilo e o nosso Tamanduá já não se aguentava mais de tanto porquê. Achava que a mãe dele se preocupava demais, via coisas demais, fantasmas demais, era questionadora demais.
Mas um dia mamãe tamanduá viu que não adiantava ficar questionando. Sabia que havia coisas que o Tamanduá tinha que aprender. E esperou a oportunidade para ensinar.
Havia um lugar, bem no meio da floresta, onde um buraco estreito, mas muito profundo dava curiosidade em todos os tamanduás jovens e não seria diferente com o nosso Tamanduá. Ele ficava imaginando o tamanho das formigas que poderia comer ali e, ao mesmo tempo, nas tantas vezes em que sua mãe o alertou para não meter o nariz naquele fundo, sempre com seu rosário de porquês sem fim.
Resolveu arriscar e comunicou à mãe que lá iria no dia seguinte. A mãe pensou, pensou e pensou e resolver não perguntar nada. Se limitou a dizer:
_ Amanhã, chova ou faça sol, venha para o almoço pontualmente às onze horas e cinquenta e cinco minutos. Nem um minuto mais tarde, ouviu?
Hora estranha, pensou nosso Tamanduá, enquanto a mãe repetia sem se enervar: esteja aqui no horário marcado, senão eu tiro o almoço da mesa e as formigas vão ficar para seus irmãos, o que vai ser até bom. E eu tiro mesmo, entendeu?
Mas nada de ouvir. No dia seguinte, perto do meio-dia, nosso Tamanduá se aproximava do buraco de seus sonhos. Vigiou, vigiou e se esqueceu da hora. Meteu o nariz bem fundo e sugou, sugou até que, de repente, bum!!!!!
Um jato forte e quente de água jorrou, pontualmente ao meio-dia, queimando o seu nariz!
Ele correu, correu e voltou para casa, chorando. Quando sua mãe o viu, foi logo dizendo:
_ Porque você não veio almoçar?
_ Para de ser questionadora, mãe, não vê que eu me queimei e vou ficar dias sem poder comer??? Você não vai cuidar de mim?
_ É, meu filho, eu sabia. Aquele buraco é uma fonte de água que jorra todo dia nesta hora. Eu disse que não fosse lá e que não ia ter almoço. Não vê que estou cuidando de você?
_ Nossa mãe, como é que pode? Tem hora que você é tão limitada...
Moral da história: Muitas vezes a tacanhice é uma forma sutil de sabedoria.
Amizade Colaboração Educação Família Gestão
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19 de Fevereiro de 2008