Frank, meu camarada

Frank, meu camarada
  Para ser feliz

"Sou mau porque sou infeliz".

        (De Frankenstein  para seu criador, no romance original de Mary W. Shelley).


Frank, meu camarada, eu não sei direito o que é ser mau, nem sei o que é ser bom, mas sei, como você, que sou mau porque  sou infeliz.

Sabe Frank, meu velho,  você não é um fantasma, é gente, gente que compreende, com iluminação, que primeiro é infeliz, primeiro decidiu ser infeliz e, por conta da angústia da alma, ficou mau.

Não és fantasma,
Plasma a toa,
Por tal feiura
Que ostentas,
Frank, oh! Frank.

És um traste,
Velho,
Deformado n’alma
E nela
tua tristeza toca,
como sino,
E faz ressoar tua maldade.


Seu olho, Frank, meu bom Frank, não vê o outro e nele não existe. Acho que você queria ser bonito assim, zapt, e pronto. Como bonito não fica, entristece a vizinhança, faz pouco da melhora pouca e imperceptível de quem te cerca.

És a fera,
Frank,
Que a bela ama.

Mas feio,
Tornado monstro,
Infeliz que já era
Quando príncipe.

E seu castigo,
ironia,
Cativar um’alma
Para a calma
Lhe tornar
Aos dias.


Fica feliz, Frank, fica feliz! Depois você decide ser mau ou bom.

Fica feliz e olha em volta. É gente que passa a seu lado. Ë gente que tem dores nas juntas, como as suas, são pobres monstros como você.

Feliz você caminha junto.

Feliz você entende o outro.

Feliz você anda pela vinda, dando risadas das maldades que fazia.

E sua redenção?
Que loucura!
Virá na morte
Da infelicidade
Antes que morra
Da verdadeira vida.

 Amizade  Colaboração  Ética  Felicidade  0 Comentário(s) 10 de Outubro de 2007



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