A Empresa Essencial, Uma Apologia do Simples: (VI) Desejos de Conhecimento

Ouvi também falar dos desejos. Dito assim parece asneira, num mundo onde os sentidos, confundidos com os desejos, mandam sem cerimônia.

Mas ouvi de Grum, por uma perspectiva nova, do desejo sendo, em essência, nossa busca do supremo, de Deus.

São palavras que se misturam, desejo, valor, sentidos. Quaerere, que é porquê e é desejo.

Fiquei de novo em cócoras mentais e quem me conhece sabe que estou é matutando. Um projeto de conhecimento precisa ter desejo. É preciso saber onde se quer chegar e construir o caminho. O Amir Klink ensina isso, que o chegar faz a jornada e que, sem o chegar, não há viagem.

Eu matuto e matuto! Amir e Drummond parece que dizem coisas-diferentes-que-não-são.

Não há conhecimento sem jornada nem há conhecimento sem chegada. Se eu desejo, eu tenho uma viagem e um destino, sendo ambos partes da mesma vida que se desenvolve em todos os cantos.

Vejo as formigas. Elas vão, apenas vão, mesmo que obstruídas, como se o sentido de Deus e do conhecimento brotasse do fundo de suas alminhas de nada. Meu filho e eu provamos isso num formigueiro gigante, faz uns dias.

Minha alma não é de nada, é de merda. Não me serve na jornada nem me faz chegar se não deseja.

É por isso que se aprende. Quando eu era pequeno, amava sair em viagem, logo de madrugada, o escuro  ainda pelo céu e o fusquinha de meu pai subindo uma serra imaginária, ouvindo os programas sertanejos em AM.

Era jornada e era chegada. Eu sentia que aprendia. Já naqueles dias, aos oito anos, sentia que aquelas cenas ficavam gravadas profundamente no coração, como que dizendo:

_ Aprende o que é importante!

Mas, agora, estamos no mundo das sensações. Demônios de três dáblios sabem se disfarçar e fazer nossos sentidos vagarem soltos como anjos, decaindo, perdidos entre o céu e o inferno.

Ponho-me de prontidão. Sei que é preciso desejar para conhecer, dar sentido a mim mesmo, aos meus, a meu trabalho e ao que a América prefere chamar a Companhia, a Firma, o lugar onde tudo se justifica pelo fazer: a Empresa.

Não haverá tempo de conhecimento para as empresas que se justificarem assim, somente pelo fazer. É preciso recuperar o domínio dos desejos.

Empresas da era  do  conhecimento reaprendem o desejo. Estão recomeçando sempre, é assim que as reconhecemos, sempre recomeçando, o que dá em aprender ou ainda, como nos ensina de novo Grum, em tatear, ir na direção de nosso desejo supremo como se nos arrastássemos no escuro.

É somente nesse caldo de vontades compreendidas onde floresce o conhecer que percebemos quem somos, para quem e para o que trabalhamos. Se não for assim, todo o resto são normas, ritos vazios, demônios sem máscara que, suprema contradição, nos atraem dizendo:

_ Não é por aqui... Não é por aqui... Não é por aqui...

 Colaboração  Educação    Felicidade  Gestão  Gestão de Conhecimento  0 Comentário(s) 22 de Outubro de 2009



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