Amei Drummond desde a mais tenra idade. Amava mais o Drummond cronista, que desenhava imagens que eu desejava ardorosamente conhecer, com sua descritiva que me encantava.
Depois amei o Drummond poeta.
Não amei tudo no Drummond poeta. Aquela poesia me raspava a garganta. Me provocava.
E havia uma, em particular, do fulano que amava o beltrano que amava o sicrano que não amava ninguém. Não descia!
Agora ela me serve de inspiração às avessas. João mandava e-mail a Antônio, que mandava a Maria, que mandava a Paulo, que infelizmente mandava de novo a João, com cópia pra todo mundo.
Quando é spam a gente agüenta. Spam me faz bem, é terapêutico. Posso deletar um a um, em segundos. Até inventei uma brincadeira de gato e rato:
Eles enviam e-mail
e o eu matreiro mata,
quase sempre no escuro,
à queima roupa.
Às vezes não!
Às vezes, o eu, danado,
abre o coitado
antes da matança.
aposta que é spam?
abre, confirma e
bammm!
Mata o safado!
Coitado?
Coitado do eu,
sufocado
em tanto papel
sem matéria.
Melhor assim,
tornar em diversão
o que antes fora
maldição.
Mas e quando não é? Drummond me acuda. Spam de amigo é tortura que mata o conhecimento. Não sabem fazer conta.
O João manda recado a Antônio, Maria e Paulo e mais a cento e cinqüenta viventes. Todos contentes, senão todos, uma parte, responde alegre ao João e, de quebra, aos que nunca quiseram resposta. Quando eu estava na escola me ensinaram que isso se parece, infelizmente, com uma progressão geométrica. Cresce, cresce e cresce, alimentado por tanto João-sem-pensar.
E daí que eu tive que responder, outro dia, se eu fosse começar, do zerinho mesmo, um projeto de gestão de conhecimento, numa empresa, num lugar qualquer, de onde começava?
Cutuca daqui e dali, pensei, pensei e taquei o desafio.
_Eu bloqueava as entradas!
_ As entradas, estranharam, que entradas?
_ As que entopem a gente de e-mail e papel. Começava certinho daí. Pra ser didático, faz de conta que eu era importante, manda-chuva da informática de alguma companhia internacional, baixando norma no primeiro dia de minha ocupação:
“Comunicamos aos senhores colaboradores
que o servidor de correio de nossa empresa foi desativado hoje
e que, de agora em diante, as comunicações internas e externas se darão por memorandos em papel.
Os impressos necessários serão distribuídos pelas áreas,
e os mensageiros estão instruídos a atendê-los.
Cada funcionário terá direito a cinco memorandos externos e 10 internos, por mês.
Atenciosamente,
o chefe”.
Era bater e valer. Eu não durava um dia no cargo, o que não seria de todo ruim. Mas antes de sair, antes de ser demitido, certamente desceriam, diretores e presidentes. Iam querer saber, na iminência da minha degola, o que, afinal, quisesse eu com tamanha insânia. E eu respondia, calmo e pausado:
_ Senhores, não sou contra e-mails!
E continuava...
Eu os acho um grande avanço para o mundo, com a vantagem de forçar as pessoas, no pior da conta, a praticar a língua pátria. O que quero é reencontrar o essencial, e não falo de filosofia. Para aqueles que estão preocupados com os resultados de seus empreendimentos, quero reencontrar as coisas que importam para o negócio, para o objetivo. De quebra eu acho que, desse jeito, aumentamos nossa qualidade de vida, mas, vá lá, fiquemos só com negócios.
Quero que colaborem, sem se matarem de tanto spam legalizado.
_ E por que não colaboram? Talvez perguntassem...
E eu, limpando a goela, impostando a voz, diria sem demora:
_ Porque confundem informação com conhecimento. Confundem colaborar com responder. Acham que precisam ler e responder de um tudo e que, assim, trabalham juntos.
Não se dão por satisfeitos se souberem que o conhecimento existe e está ali, num lugar sabido, pra quando for necessário, pra ser compartilhado. E isso é possível, tem ferramenta, eu estou até usando agora e na tal web!
Não é preciso responder tudo.
Não é preciso saber tudo.
Só é preciso saber onde estão as coisas quando precisamos delas. Só é preciso colocar a informação correta no lugar certo, e esse lugar não é a sua caixa de entrada eletrônica, individual e solitária. Precisamos de sistemas contextuais, que guardem informações de vendas em vendas, de projetos em projetos e que saibam encontrar tudo, quando perguntados.
Isso é colaborar. Isso é ficar leve o suficiente para competir e para pensar.
E é por essa razão que me ocorre agora a melhor definição de GESTÃO DE CONHECIMENTO que possuo. Gerir conhecimento, de verdade, é desenvolver no grupo a atitude de não saber.
Se você não sabe, pergunta. Se pergunta, num lugar adequado, tem a resposta, encontra um interlocutor e pode aprimorar o que acabou de descobrir, deixando depois, no mesmo lugar, melhorado, o conhecimento pra outro perguntador.
O resto? O resto é entulho, puro entulho autoritário de gente que nunca resiste à tentação de uma respostinha numa lista de debates.
Colaboração Gestão de Conhecimento Gestão de Tempo Princípios da Empresa Essencial Simplicidade Corporativa
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6 de Setembro de 2010
O nome dele era Sô Vicente. Tinha uma lojinha ali na rua Indiana, no jardim América, acho que ainda tem. Tudo ali combinava.
Começa que o tratamento Sô é privativo, dentre algumas poucas castas sociais, dos donos de lojinhas. Ninguém diz: O Sô fulano, dono do supermercado. Nessa condição, passa-se imediatamente e, no mínimo, a Senhor Fulano.
Então era esse o nome dele e, lojinha, é bom que se diga, não é uma designação para qualquer estabelecimento. Lojinhas tem uma espécie de “modus operandi” próprio e parecem até que são uma franquia de tanto que são iguais: tudo amontoado, quase nenhum registro e o dono, invariavelmente o Sô Fulano ou a Dona Fulana, sabendo exatamente onde encontrar cada coisa e quanto deve cada cliente.
Uma das idiossincrasias do Sô Vicente constituía-se no registro das dívidas. Ele usava dois tipos de registro: aqueles feitos em capas de maços de cigarro ao avesso e os feitos em papel de pão, que eu nem sei onde ele comprava, posto que não se embrulha mais pão há que tempo...
Não havia outro registro. Minha ética me impediu de testá-lo algumas vezes. Era comprar, não pagar e ficar esperando pra ver se ele denunciava. Até onde eu pude ir, minha Nossa Senhora dos Contabilistas, ele tinha tudo em regra e bem passado.
Eu, que não dou conta de gavetas, como é que ia dar conta daquelas pilhas de sei-lá-o-quê que ele sabia de cor? Não dava e, não dando, tudo se resumia, se eu comprasse a Lojinha do Sô Vicente, em migrar das técnicas do conhecimento para a inteligência do negócio. Era possível que eu me saísse melhor!
Era possível, eu digo, mas não garantido. Aquele era o mercado do Sô Vicente, o jeito dele fazer as coisas e é como se os resultados da Lojinha se imiscuíssem nela mesma. Não fossem aqueles, não era a Lojinha. Não fosse a Lojinha e os resultados não seriam aqueles.
Um equipe inteira de consultores e eu havemos de passar um tanto de horas conjecturando de melhorar a Lojinha do Sô Vicente e sabe onde ele vai estar enquanto isso, sabe? Vai estar em Guarapari, que era pra onde ele ia quando lhe enchiam o raio do saco, às vezes deixando alguém em seu lugar com umas recomendações, às vezes não deixando nada. Baixava as portas e dizia:
_ Fui!
Não sei se o Sô Vicente ainda vai estar lá, vou até passar para conferir, que carece. Mas o fato é que, de outra maneira, as chances são para um supermercado e para a tal da “Business Intelligence”, cubos de decisão, suportando a preferência do consumidor.
O Sô Vicente certamente não despreza isso, mas também não quer. Ele sabe bem é do conhecido que está na sua cachola. Gerencia estoques de acordo com a preferência do freguês e o agrada naquilo que mais importa, no caso em questão: ter perto e mais caro o que se precise, vendendo fiado e mediante um dedo de prosa. Que negócio, heim?
Entre a inteligência e o conhecimento não carece de ter uma briga. O nosso Sô Vicente pode ser nomeado consultor empresarial para a gestão do conhecimento e vai nos ensinar até os truques para, passando o que sabe de pai pra filho, fazer dar certo o boteco deste último, que é coladinho à Lojinha. Não vai fazer cubos e pouco fará contas.
O supermercado, é certo que podia ensinar ao Sô Vicente um jeito de girar melhor o estoque e acertar cada vez mais as necessidades do seu cliente. Uma simbiose perfeita. Inteligência de negócio e gestão de conhecimento.
As duas coisas deviam ser a mesma coisa. Deviam ser irmãs. Infelizmente não são. Trata-se de gêmeas separadas no berço, uma com eterna saudade da outra. Estou tentando juntar de novo as lactentes e dar-lhes de beber da mesma sede.
Não são opostas. Possuem apenas gênio diferente, mas brincam juntas como ninguém, em que pese o glamour da primeira, que ofusca a intuição da segunda.
Quem tiver coragem que as reúna, que brinque com as duas e ao mesmo tempo, que pare de dizer que não dá conta da aventura do conhecimento, no mundo de cubos e decisões de negócio do Sô e do Senhor Vicente.
Gestão Gestão de Conhecimento Inovação Princípios da Empresa Essencial Simplicidade Corporativa
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30 de Agosto de 2010
Por vinte e dois anos venho aprendendo sobre a Empresa Essencial. Metade deste tempo eu devo ter gasto em conversas infindáveis para nem sempre convencer meus interlocutores sobre a conveniência de uma Empresa assim. A outra metade eu gastei ouvindo-os dizer que, se tal Empresa fosse possível, certamente não seria o caso das suas Empresas.
Repetiram, em atitude de defesa, que suas organizações não precisariam se tornar essenciais em seus mercados e que o conceito não se aplicava em seus casos. Não podiam imaginar uma Escola Essencial, um Hospital Essencial ou uma Indústria Essencial.
Comecei a compreender que não precisava mais discutir sobre a existência deste cisne negro da administração, que mais pareceu, por bom tempo, um pato feio. Se nossa Empresa existia, outras começavam a se juntar ao bando, com diferentes nuances e começavam a mostrar que monstros sagrados do mercado podiam ser vencidos com soluções do tipo como-é-que-eu-não-pensei-nisso-antes.
Passei então a ouvir ainda mais o mercado.
A tecnologia veio graciosamente desafiar os incautos. Seus efeitos devastadores sobre muitos negócios criaram provas que não foram suficientes para convencer muitos empresários seguros do sucesso de suas estratégias. Eles ouviam contar a histórias da Google e preferiam acreditar que ela não havia nascido da inventividade de garotos em fundos de quintal. A crença geral era: para me vencer será preciso ser muito, muito forte.
Não digo que cansei de ouvir a expressão “isso não é comigo, não funciona assim comigo”, mas a ouvi vezes sem conta para perceber que o fundo do oceano do mercado se abria silenciosamente para engolir, em tsunamis cada vez mais regulares, todos aqueles que ficassem em suas casas de praia, apreciando a bela tarde de sol.
É claro que não havia somente incautos. Alguns trataram logo de instalar uma grande tabuleta de venda à frente de seus empreendimentos e foram curtir a vida em paisagens mais tranquilas, longe do burburinho da areia onde os anúncios de crises econômicas e concorrência exacerbada feriam seus ouvidos. Venderam e partiram!
Tornei-me uma espécie de profeta do apocalipse empresarial por onde passava e era visto com desconfiança sempre que recitava o primeiro de nossos mantras, o Princípio da Essência, que manda questionar tudo nas organizações, a começar por elas mesmas.
Comecei muitas reuniões desafiando gente graúda e no topo a imaginar se estariam de pé, bronzeados na areia do mercado, em cinco anos ou se afundariam nela, esquecidos e literamente tostados. Deixei algumas salas de reunião convicto de que não me haviam escutado e entendido, mas feliz porque continuava a ter uma única certeza: inovar significava questionar sempre!
Exceto pela minha própria organização, que se reinventou do nada algumas vezes em todos estes anos, quase nenhuma acreditou de verdade que devesse se questionar por inteiro, perguntar, de verdade se ainda existiria em meia década, talvez menos. Os executivos normalmente não gostam de colocar em dúvida a própria competência e eficácia. Consideram isso uma espécie de suicídio profissional e acabam por adiar mudanças que certamente ocorreriam se o fizessem.
Eu não escrevi o calendário Maia da administração. Não creio mesmo em destruição total, até porque, com a fé que aprendi a cultivar, acho que, se ela viesse, seria uma espécie de retorno à essência final, que eu até gostava se pudesse ver, por um segundo que fosse, do alto de uma montanha, e depois perecer em paz.
Vê como eu não sou diferente? Acho que é assim que a maioria das empresas, sobretudo as líderes de mercado, se vê. Não se importam de falar em tsunamis, desde que estejam certas de presenciar a morte da última de suas concorrentes, gozando da estranha prerrogativa de morrer por último.
Os sinais estão aí. Quem tiver olhos que veja. Tenho hoje uma internet duzentas e quarenta vezes mais rápida que a primeira que tive. Surfando nela, consigo tudo o que preciso, de conhecimento a pizzas. O preço é menor, a entrega do produto, depois de muitos testes, é limpa e correta e não me venham contar de exceções que só confirmarão as estatísticas.
Alguns sargentos permanecem em seus "bunkers" de mercado e vão me dizer que suas organizações atuam em nichos para as classes C e D, que não possuem internet. Faço piada com eles. Trabalho por quase vinte anos com inclusão digital, uma causa perdida para as casas Bahia, vendendo seus computadores a preço chinês a qualquer um que tope enfrentar maratonas de quarenta e oito meses e um bocado de juros.
Aí surgem os heroicos, aqueles maridos enfurecidos por suas amadas perdidas e que começam a dizer pela vizinhança que, se não for minha, não será de ninguém mais. Gritam pelos corredores as verdadeiras vociferações apocalípticas, dando conta de que tudo tem que acabar mesmo porque, afinal, estamos dando cabo desse planeta e alguém tem que parar com isso (não gosto de usar parêntesis, mas repare que estou cochichando: alguém terá que parar com isso assim que não possam mais tirar proveito suficiente da situação).
Eu também quero parar com isso. Eu estou preocupado com o planeta. Minto. Com meu país. Minto de novo. Com minha cidade. Minto uma vez mais. Com minha casa, com meus filhos e com os filhos de meus filhos.
É isso que penso, para provar que o pau que dá em Francisco, no caso Francisco mesmo, Roberto Francisco, também vai dar certeiro na nuca de seus filhos e os filhos de seus filhos, que viverão em um mundo e em mercados novos e imprevisíveis, onde a regra da inovação em direção à simplicidade terá cada vez mais lugar.
E quanto ao lucro com qualidade de vida? E quanto a sermos uma empresa onde todos se orgulham de trabalhar? Aprendi que o governo não está muito interessado nisso. Simplificar qualquer coisa que o envolva é como comer macarrão com um palito só.
Com esse adversário ao mesmo tempo lento e poderoso, não espero que os meus se orgulhem de trabalhar em nossa Empresa Essencial. Preciso mesmo que reflitam com serenidade e paciência, sobre o que seja essa Empresa. É aí que começo pela linguagem!
Compreender o poder da linguagem nas organizações é fundamental. O que for dito tem que ser compreendido. O que for respondido tem que ser compreendido de volta. Sem isso não há processo, não há uma ponta sequer de inovação consciente e duradoura porque simplesmente não vai funcionar, ou pelo menos não vai funcionar tão bem quanto na casa de seu vizinho, onde o seu risco é de que as pessoas estejam se entendendo e começam a trabalhar em causas que atendem aos anseios do mercado, mas também a seus anseios.
A Empresa Essencial pode ser entendida como uma insistente pergunta, ainda que às avessas, para os dirigentes das corporações: o que é que eu não preciso ser?
Responder esta pergunta é tocar fora toda sorte de inutilidade corporativa que não faz a empresa andar para frente. O problema é que, como nos ensinou Gorbachev, quando fez tombar a União Soviética, é fácil matar um elefante, mas é difícil esconder o cadáver.
Nossas organizações estão cheias de assuntos não resolvidos, processos que não precisavam existir e que insistimos em fazer permanecer, muitas vezes crescendo e, mais vezes ainda, se reproduzindo, para tentar garantir que clientes que voltem.
Mas muitos deles nunca voltam...
Se acreditarmos de verdade e com todas as forças que o que nossas empresas fazem seja fácil de ser feito, teremos que acreditar que outros também poderão fazer e acreditar nisso é dormir à noite com muita preocupação na cabeça e contas por pagar na manhã seguinte. Preferimos nos proteger em nossas convicções ao contrário, algo que batizei de imaginários negativos, tomando emprestado o conceito de imaginário de Bernardo Toro.
Para acreditar na mudança no caminho da inovação nosso grande desafio na Empresa Essencial é não sermos diretivos. Não vamos ao cliente dizer-lhe que tudo que está fazendo está errado e que o certo é a forma como pensamos. Não elaboramos guias de procedimento somente para garantir rotas que acreditem seguras. Preferimos não fazer o papel de bodes expiatórios quando eles tentam executar recomendações endurecidas, quase sempre com grandes doses de má vontade para, no final, concluírem que sabem sempre mais sobre seus negócios que nós mesmos, para o bem ou para o mal, para o sucesso ou para o fracasso.
O que fazemos é apontar caminhos possíveis. Nós apenas dizemos, antes que tudo que, se alguém suficientemente inventivo encontrar uma forma mais simples de fazer o que eles fazem, ganhará o mercado só porque nós realmente não conhecemos nenhum consumidor que compre complicação, seja em que produto ou serviço for!
Quando fizeram a primeira série Jornada nas Estrelas, fico pensando que eles tinham um problema. Em cada planeta em que chegassem, teriam que embarcar e desembarcar um bocado de vezes, algo que oneraria um bocado o caixa do set de filmagens. Então tiveram uma ideia: transferência de matéria! E briiiiiimmmmmm (estou tentando fazer o som que surgia no filme, toda vez que o Dr. Spock baixava seu santo num planeta qualquer, vindo diretamente de um raio de luz dentro da nave Enterprise).
Por muitos anos e até hoje esta ideia nunca foi superada. Agora mesmo, quando o James Cameron precisou mostrar a vida inóspita no planeta dos avatares, filmou um desembarque sofrido e cheio de poeira. Certamente Avatar e Guerra nas Estrelas são histórias de dois mil e qualquer coisa, porque a primeira série de Jornada nas Estrelas deve ser de dois mil e muita coisa, tão a frente de seu tempo que estava o não menos famoso Capitão Kirk.
É isso que tentamos mostrar cada vez que analisamos um processo qualquer, uma organização qualquer: que se formos capazes de não desistir e pensar em transmutação de matéria em lugar de aterrissagens poeirentas, estaremos muito à frente de nosso tempo e possivelmente mais sintonizados com a sustentabilidade de que tanto precisamos e da qual falamos cada vez mais.
E quando eu falo de sustentabilidade, boa parte dos empresários acha que estou falando só do social, do cosmo, mas estou é falando de dinheiro também, porque, afinal, algum engenheiro, numa data estelar muito avançada, terá que dar manutenção naquela geringonça de enviar gente através da luz. Um grande mercado, sem dúvida!
Por muitos anos, simples foi sinônimo de simplório. A Empresa Essencial desafia as organizações a compreenderem a simplicidade corporativa como estratégia, uma estratégia coletivamente perseguida em cada mercado, para atender clientes que também estão se reinventando, para o bem ou para o mal.
Os economistas dirão que será necessário consumo e consumo e consumo para que a roda do mercado não quebre. Muitas organizações acreditarão somente nisso e mergulharão numa briga em que lutam mais com punhos e músculos que com inteligência.
Assim como o raio luminoso de Jornada nas Estrelas, a Empresa Essencial acredita em foco, em fazer apenas aquilo que tem que ser feito. O resto, todo o resto, é só poeira e jogo de cena para tornar o mercado confuso o suficiente para que nós, que temos mais força que estratégia, possamos, pelo menos por mais um tempo, sobreviver nele.
Quem viver verá!
Colaboração Ética Felicidade Gestão Gestão de Conhecimento Inovação Princípios da Empresa Essencial Simplicidade Corporativa Tecnologia
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13 de Agosto de 2010
Eu já não sei mais nada, confesso que não sei. E deveria ser benção dos céus não saber. Eu, uma vez, defini a gestão de conhecimento como o ato de não saber, o supremo espírito de não saber nada para que o grupo soubesse.
Gosto mesmo dessa definição. O Aurélio diz que, para conhecer, é preciso que “o objeto seja apropriado pelo pensamento”. Se não há pensamento, não há objeto. Então é preciso ter uma relação qualquer de amor ou ódio com a coisa sobre a qual se deseja conhecer antes de possuí-la, como se possui a amada no leito nupcial.
Quem não sabe é leve. Empresas que não sabem são leves. Um e outro estão abertos para o amor do conhecimento e sabem onde procurar quando se precisa dele, flertam com o saber. Conhecem tecnologia para isso e fazem uma gestão de conhecimento que não é possessiva, é democrática.
Henri Borel escreveu uma livrozinho sobre a sabedoria do não-agir. Fala de encontrar Deus pelo esvaziamento da vontade. Aí eu parafraseio e encontro o conhecimento pelo desconhecimento, encontro, no todo, a parte. Encontrar o outro ou a coisa pelo esvaziamento do que se pensa saber sobre ele ou ela. Conhecê-los pelo que se apresenta em fatos, documentos, não pelo que se quer que sejam.
O já-não-sei de que falo aqui é sentimento de perdição no mundo. Minha vó Cota dizia de onde esse mundo ia parar, meu Deus, ta tudo mudado...
E é o que eu digo: onde esse mundo vai parar, querendo fazer Gestão de Pessoas sem cuidar do essencial primeiro, do que é certo, de Ética?
Um projeto de Gestão de Conhecimento se começa certo ou não se começa. Não se pode pedir a ninguém que compartilhe, que produza, sem tratar das matérias do respeito ao indivíduo.
Nossa geração é a geração da contradição, na aparente “des-transformação” do mundo. É nela que um país supera as metas do protocolo de Kioto para a poluição ambiental, enquanto o outro as despreza. É nela que gente de bem, que defende uma vida sustentada, tem sua morte remida na opinião do povo, que quer justiça.
Num país onde as empresas que pagam seus impostos, contratam seus funcionários de acordo com a lei e protestam por meios lícitos e de voz ativa contra os desmandos do governo são bobos da corte, de uma corte onde a farinha é pouca e o pirão de poucos tem que vir primeiro, nesse país algo está mudando.
“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros “.
É Drummond quem fala e minha alma grita de constipação, querendo pular pela boca. Também não quero ser esse poeta. Eu, como Carlos, estou preso à vida e às pessoas. Construo o conhecimento do outro baseado no direito do outro, antes de tudo, o direito da lei, mesmo que eu não goste dela.
Eu pensava que a crise Brasileira fosse de educação e sendo, denuncia uma crise maior, mais importante, mais visceral, de justiça. Numa nação onde eu posso comprar o que o outro sabe por meios ilícitos, me escondendo em argumentações de um governo que muitos, por conveniência, dizem ser ilegítimo e extorsivo, mas que ajudei a eleger por ação ou omissão, nesse país estão falando de gerir pessoas.
Quem quer gerir assim, sem respeito, não está preso à vida. Diz que o conhecimento pertence à organização e não ao indivíduo, mas rouba aquilo que o indivíduo tem de mais precioso, nos seus direitos básicos de trabalho e respeito.
É por isso que polemizo e denuncio!
O caminho?
Eu posso não saber o caminho. Eu posso estar tateando sobre o que é propriedade de conhecimento, eu e meus pares, que ruminam esses conceitos em organizações respeitadas que tratam do Conhecimento. Gente que eu acho, como eu, também está presa à vida e olha os companheiros com certa preocupação. Eu posso estar assim, mas sei que, por pior que seja a lei do trabalho, é preciso cumpri-la, enquanto se sai à rua com bandeiras conscientes da luta pela transformação. Depois disso eu posso gerir pessoas. Depois disso eu posso falar de motivação. Depois disso eu posso convidar uma equipe que precisa ser potencializada em suas capacidades para um debate de crescimento dentro da organização e compartilhar o conhecimento que não é de ninguém, senão de todos e de cada um.
O resto é matéria de gastronomia.
O resto é, em verdade, em verdade, digestão de pessoas.
Colaboração Ética Felicidade Gestão Gestão de Conhecimento
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18 de Julho de 2010
Não sou crítico profissional de nada. Não vim aqui criticar. Vim pedir para mandar prender!
Explico: dentre os princípios da Empresa Essencial, está o Princípio do Prazer e da Estética. Está Lá, quem quiser, é só visitar www.plansis.com.br e procurar nosso código de ética e escritos que tais.
Fico feliz quando nos visitam em nosso pequeno prédio no Vale do Sereno, em Nova Lima. Fico feliz que nossa imaginação e petulância tenham feito transformar em espaço de cultura outro que era só trabalho. Por estes dias, os visitantes estão se encantando lá com a exposição da Kátia que a Ivana Andrés fez a gentileza de oferecer aos olhos de nosso público: Arte superando barreiras, uma aula de vida, das oito às dezoito horas, para oito e para oitenta anos.
Foi fácil acreditar que o nosso espaço podia virar espaço de cultura. Ele que era só espaço de trabalho, ganhou as cores da Katia e vai ganhar cores de muitas gentes pintoras e escultoras mais. Foi só acreditar que podia!
Então ter prazer e ver a cor no trabalho tem a ver com isso, com a chance de trabalhar enquanto se vive e olha o belo, o belo que é simples, o belo que toca a gente.
E como comemos juntos na Empresa, tempos atrás resolvemos que, durante o almoço, um ou dois voluntários virariam DJs para selecionar as músicas que todos quisessem ouvir. E temos música na recepção da empresa também.
Vai daí, nesta semana que entra, eu vou pedir vênia para tocar, se possível até furar, o CD do Carona Brasil, coisa nossa, aqui de Minas Gerais. Ontem eu presenciei o crime.
Meu Deus, o que é aquilo? Um brinde para a alma, som da melhor qualidade, som para rodar o mundo! Alguns dirão que a fórmula é facilzinha: tocar bossa nova e pronto, todo mundo pára para ouvir. Mas não, não é isso. Os caras, ou mais precisamente, as moças e seu grupo de comparsas instrumentistas são criminosos de primeira linha da música. Tiveram requintes de crueldade para enfileirar as canções, uma por uma, com seus respectivos autores, e fuzilar sem dó nem piedade cada acorde, cada inovação musical, uma ou duas suítes, um solo aqui e outro ali e pronto: a gente, na platéia, só ouvia os gemidos de dor do coração do júri, diante da beleza.
Cada um deles precisa ser preso! O Gilvan de Oliveira comandou o extermínio do nosso coração com seus arranjos, músicos excelentes, vozes MA-RA-VI-LHO-SAS das meninas, um baterista que já devia ter sido algemado prá não fazer aquilo com a gente: a bateria e a gente pediam mais e mais e ele não parava de bater com uma suavidade que eu gosto só de lembrar.
E o astral. Isso é puro sequestro! Pegam nosso sentimento e vão levando praquí e pralí como se faz com um saco de batatas. Quando a gente pensa que vai ficar triste, ishhh, explode em vontade de viver na cumplicidade das letras e sons de tantos patriarcas da bossa nova.
O belo é para ser ouvido. O belo é para ser mostrado. O belo é para passar de coração em coração e eu recomendo que não se deixe de ouvir o CD. De minha parte vou levar pra empresa e ficar observando as reações. Faz parte a gente conseguir que as pessoas trabalhem querendo viver em vez de só trabalhar.
De minha parte eu vou lançar no twitter uma campanha pra mandar prender essa turma, é mandar prender e mandar matar! Eu, de verdade, já cumpri a sentença: prendi cada acorde no fundo do coração e vou ficar um mês inteiro matando a saudade.
Valeu meninas!
Fica aí o contato do Carona Brasil: http://www.myspace.com/caronabrasil
Felicidade Música Princípios da Empresa Essencial
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11 de Julho de 2010
Eu não queria bater ponto. Não queria que em nossa empresa tivessem que bater ponto, mas, que remédio?
Tem certas coisas que a gente não discute: faz! Ou melhor, a gente faz, mas discute. Não concordo com um governo e com sindicatos que fecham os olhos para o mundo que está mudando, para as novas relações de trabalho dos tempos da internet. Preferem impor regras que a maioria não vai cumprir, preferem ignorar as empresas que passam batom no porco e burlam as regras e os funcionários que, querendo ganhar mais, fingem que tudo está certo e que a lei está sendo cumprida.
Que remédio? A que ponto nós chegamos?
Fico imaginando a dificuldade de empresas como a Google, com filial no Brasil. Se um funcionário acessar o buscador às três horas da manhã, procurando o resultado do último jogo de seu time de futebol, está produzindo prova. Acho que a Google tinha que tirar o portal do ar depois das dezoito horas. Aí os burocratas de plantão iam se dar por satisfeitos e a gente só buscava de oito às dezoito com duas horas de almoço.
Lá na nossa empresa não queremos que ninguém trabalhe depois das dezoito. Estamos nos esforçando para isso. Na realidade, apesar de todos os pesares, apesar de pouca gente acreditar, tentamos fazer o que tem que ser feito para que se possa ir para casa e descansar, para que se possa viver.
Eu prefiro que todo mundo possa escolher a hora de trabalhar. Eu prefiro que todo mundo seja maduro o suficiente para estabelecer e cumprir um contrato de trabalho que seja justo para as duas partes. Eu prefiro que o vendedor da padaria compreenda que alguém vai entrar lá e comprar pão na hora de seu expediente e que, se ele não estiver lá, não haverá pão. É simples. É consciência social porque, aproveitando, toda empresa tem uma função social e se não tem eu acho que é porque deixou de ser empresa.
Mas o governo não confia: não confia nos empresários e não confia nos funcionários. E os empresários não confiam nos funcionários e os funcionários não confiam nos empresários e é por isso que nos resta só perguntar: a que ponto nós chegamos?
Hoje, na nossa empresa, a gente decidiu confiar. Cada um que cuide de seu ponto, cada um que o registre com honestidade. Cada um que trabalhe de acordo com as regras que combinou e seja dono de seu próprio nariz. Cada um sabe o contrato que assinou e todos nós sabemos que vivemos no mundo, prestamos serviços a outras empresas com suas próprias regras e muitas delas pensam diferente ou só podem fazer diferente. Temos que respeitar e ajudar que vejam o mundo aos poucos com olhos do tempo da grande rede.
Sei que muitos que vão ler estas palavras dirão que estou sonhando, que as mudanças não virão, mas é só olhar em volta. Do clima à tecnologia, coisas que nem sonhávamos que acontecessem estão acontecendo. É sentar e esperar, comemorando ou lamentando, você escolhe.
Eu, pessoalmente, acho que o Essencial é a gente começar a basear tudo em confiança. A gente combina a regra, a gente cumpre a regra e cada qual é seu próprio juiz, sabendo do mal que estará fazendo se manipular o jogo.
Êta que esta é a parte mais difícil. E se alguém manipular o jogo? Se alguém manipular o jogo, sai do jogo porque combinado é combinado e se a gente combina que vai confiar a gente confia e se a confiança for quebrada acaba a partida. Se a regra não está boa, lei a gente muda é com voto e combinado, dentro da Empresa, a gente muda é conversando, não impondo, mesmo que a conversa seja demorada.
É só assim, combatendo a burocracia com a confiança mútua e com o respeito ao debate que a gente vai também respeitar as leis na rua, na escola, em casa. É só demonstrando que podemos ser uma sociedade verdadeiramente evoluída que vamos mostrar ao mundo que a justiça não se decreta, se constrói.
A escolha, de verdade é de cada um, porque eu não queria bater ponto mas, se tem que bater, é fazer isso com honestidade, dono de nosso próprio nariz.
Agora, eu repito: se o seu nariz não tem dono e se você ainda é do tempo do chicote, o jogo vai acabar para você: game out! Porque o ponto Essencial, aquele em que combinamos que confiamos uns nos outros é, de verdade, o verdadeiro ponto a que chegamos!
Ética Gestão Simplicidade Corporativa
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1 de Julho de 2010
Imagino Empresa que fosse simples, uma que não exigisse mais que sete pontos de quem trabalhasse nela.
Na minha estória, ela teria abolido requisitos complicados e substituído tudo por uma lista curta e objetiva, uma que, de tão curta, assustasse, dissesse que tudo podia, tudo mesmo, só que os sete pontos eram sagrados, regras sagradas de trabalho.
E então imagino que a Empresa as publicasse, sem nem pompa ou circunstância, numa manhã de segunda-feira:
O que você precisa saber
Para fazer parte de nossa Empresa:
Ler e escrever corretamente;
Fazer cálculos e resolver problemas;
Analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações;
Compreender e atuar em seu entorno social;
Receber criticamente os meios de comunicação;
Localizar, acessar e usar melhor a informação acumulada;
Planejar, trabalhar e decidir em grupo.
Quem sabe um colaborador que tal, ficasse batucando, que doido é esse? Será que não sabe e não me conhece? Ficasse pensando se a Empresa achava que ele, analfabeto, também não sabia fazer conta e pensar, nem se fala! Satisfeito e cumprido, dava por encerrada a leitura e compreendida a missão.
Mas carece entender melhor sete lições de um ponto para a construção da tal Empresa e ver se passam.
1a Lição
Eu já fiz campanha por dicionários, dicionários de graça, pro cabra aprender a ler muito depois da escola. Porque não sabemos ler ou não entendemos o que lemos, donde decorre que a escrita vira uma resposta sem pergunta e muita, muita gente não lê nem escreve direito.
Essa passou!
2a Lição
Daí fazemos contas e, Deus, quanta conta mal feita, quanto problema sem solução. Funciona assim:
Eu não li o problema.
Não compreendo a questão
Fiz erradas as contas
Pequei na composição.
Então fazer conta e resolver problema é importante, devera. E muita gente na empresa não faz ou faz errado.
Passa também!
3a Lição
Depois vem: quando eu escrevo, eu penso, tenho que ter pensado, ruminado, analisado, resumido e entendido. Senão...
Sem por em reflexão
Não resumi na demão
Nem fiz interpretação.
Vai daí não escrevo
A bosta da redação!
E num é que passa também?
4a Lição
E, passando, vem o compreender o mundo e vivê-lo com cidadania.
Na empresa.
Inclusive!
Compreender o mundo significa que problema vira chance, que eu defendo o que me interessa, que eu negocio e respeito regras, respeito a lei, a norma que vige para o bem comum.
Nem compreendo esse mundo,
Que só tem problema,
Regra que me impede
E gente que pede
Todo o tempo
Colaboração.
Passa? Claro que passa!
5a Lição
Depois é preciso ser crítico ou, sendo menos polido, não levar goela abaixo tudo o que vomitam na nossa cabeça. Não ser manipulado e usar coisas como a Internet, em lugar de ser usado por ela. Usar para conhecer o mundo, para conhecer as oportunidades do nosso tempo.
Nem comunico com o mundo,
E dói minha cabeça,
Cheia de spanação.
Não falo com outros,
Gente de outra nação.
É... Passa. Se passa!
6a Lição
Mas agora, agora tenho que encontrar o mundo e encontrar o mundo é um “search”, quando muito. Esta parte da crônica podia se chamar “Search e Zás”, mas o problema é o tanto de gente que não sabe encontrar o mundo, textos, gentes, lugares.
Lugares virtuais!
Não compareço em nenhum
Debate virtual.
Minha cabeça é redonda,
Não tem ponta
Onde eu possa começar
A busca da informação.
Passa. Passa com louvação!
7a Lição
E por fim o grupo, o time, a equipe, que gente como a Judith Mair(*) vai destruindo por aí.
Por fim e por resto o desafio de fazer junto, de aprender a construir e coordenar a parte que cada um sabe, que cada um, remexa o tanto que remexa, só sabe uma parte do que tem que ser feito. Desafio de decidir só, de decidir junto e de saber aceitar o decidido. De correr atrás do desejado em lugar do prejuízo.
E termino só,
Não quero grupo,
Nem ordem, nem decisão.
Estou só.
Faço só.
Pareço tão isolado do mundo
Como esse pobre
Ponto de exclamação !
A Judith acha que não passa, mas passa!
Conclusão
Um leitor atento terá reconhecido, neste texto, meio que brincando, os Sete saberes básico de Bernardo Toro, educador Colombiano contemporâneo.
Minha tese é simples: Toro vale para as Empresas. É tudo que qualquer funcionário tem que saber. É tudo que eu venho perseguindo nas competências da equipe e é tudo a que a maioria resiste.
Para eles talvez estes saberes não passem. Para mim, são a essência das competências, com elegância e simplicidade.
Sei, de forma cristalina, que são saberes estruturais, saberes que, dominados, dão acesso à vida de qualidade e trabalho com satisfação. Resta perguntar se nossos trabalhadores, adultos que são, querem voltar ao banco da escola, sobretudo numa escola onde, para sua decepção, talvez não encontrem professores formais, nem livros formais, nem bancos duplos, nem bedéis, nem sequer paredes que limitem sua ação.
(*) Empresária Alemã, autora de Chega de Oba Oba, livro que combate conceitos como prazer no trabalho e equipes.
Colaboração Gestão Simplicidade Corporativa
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29 de Junho de 2010
Senti-me inusitado (deve ser esta a palavra) quando me pediram para falar sobre sucesso. Argumentei mesmo, entre risos, que entendia mais de fracasso e os risos ficaram na minha cabeça, querendo dizer que aquilo era muito sério, que substituir sucesso por fracasso, em qualquer colóquio, poderia ser prova inconteste de minha insanidade e depressão. Paciência!
Eu, mesmo me sentindo assim, como direi, envergonhado, concluí que os que trabalham sabem mais de fracasso mesmo, que de sucesso, este um caso mais de revista, mais de televisão, muito menos crível.
Engraçado que o Machado de Assis veio me incomodar duplamente. Primeiro, porque me lembrei do sanatório do alienista: se eu souber, de verdade, o que é sucesso, é possível que me reste prender-me em minha empresa e deixar o mundo livre de minha descoberta, sem motivo qualquer que o faça ir em frente. Melhor que eu seja anátema!
Depois, porque me inspirei no Brás Cubas para criar, pasme você, a cura do mal-do-século. Para ele, naqueles idos, a melancolia. Para nós, nestes tempos de globalização, uma sua versão piorada: a melancolia da falta de sucesso!
Eis, portanto, que me proponho criar o Emplasto Roberto Francisco para o sucesso empresarial, verdadeira panacéia do século XXI, melhor que chá de quebra-pedras ou de trançagem.
Foram anos de pesquisa para chegar a este resultado. Usei, devo admitir, de um método pouco ortodoxo, em busca da grande descoberta. Assim foi.
Depois de misturar uma boa quantidade de ervas de que ouvira falar desde a minha infância, para os mais diferentes males, fui excluindo aqueles que, por certeza, não produziriam o efeito desejado. Primeiro exclui a babosa e, devo admitir, pelo mais puro preconceito, posto que sempre detestei quando me davam chá da dita planta, acho que para vômitos. Eu achava mesmo que era para causá-los e, vai daí, decidi que no meu sucesso ela não participava: foi posta fora!
Depois comecei a tirar umas tantas coisas que a vida me ensinou que não produzem o tal sucesso. A sorte, por exemplo, precisei tirar por uma questão mercadológica. Entendi que, não tendo sorte a maioria dos viventes do trabalho, ou pelo menos julgando que não tenham, seria imprudente ter que explicar a presença de uma quantidade muito grande deste produto raro em minha fórmula. Deixei um bocado bem pequeno, admitindo que daria, além do mais, um certo charme a meu emplasto.
Em seguida, avaliei o efeito de um trabalho exaustivo, estafante e, partindo de minha própria experiência e de tanto Brasileiro lutador desta terra, considerei que tal qualidade não contribuía. Pus somente uma boa pitada de trabalho, mas que não tanto assim, de modos que o composto deu a seu usuário um ânimo peculiar para o esforço do dia.
Confesso que o dinheiro foi um elemento que busquei com certo esforço para a composição, mas havia aí um problema. A escassez deste bálsamo tornaria a fórmula inacessível aos menos privilegiados, justamente os que, julgo, seriam meus melhores fregueses. Era preciso que o emplasto fizesse efeito sem levar em conta a necessidade mais imediata do componente, motivo pelo qual determinei que, mesmo sem um dinheiro inicial, seria preciso ter sucesso assim mesmo.
Era preciso que meu emplasto fizesse surgir no cliente uma inusitada criatividade e esta, que bem procurada, é mercadoria de vasto encontro, eu coloquei aos montes. Previno o paciente que o efeito é efervescente, subindo-lhe umas quenturas que lhe aquecem o pensamento de imediato.
Que um pé-de-vento tomasse o corpo do usuário, por outra, imaginei que servisse bem. Que ele ficasse um corisco de agilidade e presteza. Isso, que não se acha fácil, busquei na dose correta e minha esperança é que tenha acertado, para não causar efeitos colaterais.
Muita simplicidade. Isso que muitos acham que têm mas, bem examinados, confessam logo a ausência, isso era primordial. A simplicidade de mesa, de gaveta, que, uma vez bebido ou emplastado o paciente, ele passa logo a detestar, de papéis que passa a ler e logo dar fim que preste ou nenhum. Simplicidade de soluções para tudo e de vivência mesmo.
Pus uma mão cheia de clareza e esta foi difícil de encontrar. Tomado na forma líquida, o morrente logo passa a falar direto o que pensa, com objetividade, limpinho, limpinho. De minha parte, até separei um pouco a mais na fórmula que uso, que nunca é demais ser claro!
Depois de bem amassada a mistura, cobri com harmonia para fixar a pele. Isso faz toda a gente trabalhar junto, em prol de um objetivo comum. Fica até bonito ver todo mundo de emplasto no braço, compartilhando o que sabe, achando solução junto pras coisas.
Cozinhei na graça de Deus. Se você não crê não custa usar que não faz mal. Tem até que prefira uma versão com mais sorte e menos graça, mas eu acho que uma coisa não seja a outra e por isso é melhor conservar-me mais tradicional.
Tudo certo, está embalado e pronto para a venda. Faz um tempo que eu uso e, tenho para mim, os efeitos são lentos mas seguros. Outro dia, um amigo que me percebeu nos invernos da alma, como diria o poeta, me mandou esta:
"Os obstáculos não conseguem me derrotar.
Cada obstáculo cede a uma obstinação implacável.
A pessoa que mantém seu foco em uma estrela jamais desiste."
Ele disse que foi o Leonardo da Vinci que escreveu isso e emendou: achei a sua cara, Roberto!
Meu emplasto já estava pronto. Tive que rever a fórmula. Fiquei lembrando do Herman Hesse que tinha um livro com esse nome: obstinação. Esse livro sempre me tocou, pensei, será por quê?
Resolvi colocar uma pitada. Pelo sim, pelo não, salpiquei mais um pouco da Graça de Deus, que o meu amigo disse que era bom demais aumentar.
Acho que assim ainda chego Lá, com meu emplasto. Não quero ficar que nem o Brás Cubas, quando dizia:
“Vivia,
deixava-me ir ao curso e recurso
dos sucessos e dos dias,
ora buliçoso,
ora apático,
entre a ambição e o desânimo”.
Afinal, mesmo não sabendo se meu ungüento vai ter serventia para você, leitor, se o comprar posso dizer que parte do meu sucesso estará, irremediavelmente, garantido.
Colaboração Gestão Simplicidade Corporativa
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14 de Junho de 2010