A Alavanca da Tecnologia

Dê-me um ponto de apoio, e moverei o mundo”
Arquimedes de Siracusa


Arquimedes morreu mais de duzentos anos antes de Cristo e morreu sábio, morte marota porque até seus inimigos o admiravam e algum soldado romano descuidado não cumpriu a ordem de poupá-lo no cerco a Siracusa, sua cidade natal.
 Entendia muito de tecnologia e sua frase mais célebre é tão brilhante quanto simples: “Dê-me um ponto de apoio, e moverei o mundo”. E movia mesmo, com instrumento tão simples: uma alavanca!
Moral da história, ainda em seu início: o verdadeiro sábio não precisa de mais tecnologia que a necessária para realizar grandes façanhas.
Infelizmente não é o que pensam muitas empresas do nosso tempo, tão apaixonadas por computadores que são capazes de investir rios de dinheiro somente para observá-las em trabalhos tão inúteis quanto incompreensíveis para os homens que comandam as empresas e que desejam mais resultados que pirotecnia na luta pelo mercado.
Além dos resultados, preocupam-se com as questões da sustentabilidade de sua informática e desconfiam de uma tecnologia da informação hedonista, mais interessada em parecer potente do que em resolver problemas que muitas vezes nem existem. Dê-me um processo ruim e um computador e te darei um processo pior! Assim seria a piada do velho Arquimedes.
 Se estivesse entre nós, primeiro e mais óbvio, ele perceberia que os equipamentos vão ficando obsoletos e precisam ser descartados de forma segura para preservar o meio-ambiente e, convenhamos, o Brasil ainda engatinha na questão dos resíduos eletro-eletrônicos.
Em segundo lugar, há uma questão de consumo de energia que é muito relevante e não trata apenas do consumo direto, medido na conta da concessionária. Quando um sistema informático entra em operação indevida, uma cadeia perniciosa se movimenta na empresa: consumo de papel, consumo de tempo, consumo de salas, consumo de teleprocessamento, consumo de gente, consumo, consumo, consumo.
Não sou um ludita tentando destruir as máquinas, muito pelo contrário. Sou um Engenheiro e engenheiros, devia dizer o nome, amam engenhos. Só que nem toda máquina merece ser chamada de engenho!
Aos dezesseis anos, recém entrado na Escola Técnica Federal, comprei uma coleção de cinco livros sobre mecanismos de todo tipo para quase todo tipo de movimento. Eram russos e eu não sabia russo e, em que pese que tivessem pouco texto, restava-me namorar as figuras. Foram companheiros por muitos anos. Ficava horas olhando para aqueles braços e rodas precisamente interligadas para produzir um movimento único e suave. Para quase tudo havia um.
Mas eu sabia: precisavam ser cuidadosamente escolhidos e aplicados como um grande arquiteto escolhe suas retas e curvas e, se é grande mesmo, nenhuma sobra, nenhuma falta.
Dizem que há arquitetos de informação. Tenho minhas dúvidas. Dizem que há engenheiros de software. Tenho dúvida igual. Se houvesse um e outro, antes de construir seus mecanismos eletrônicos e seus fantásticos programas, pensariam mais. Analisariam as formas delicadas do problema e, não raro, receitariam a solução mais simples: uma revisão de processo, uma mudança na fabricação ou no atendimento ao cliente e pronto: nenhum elefante branco para se dar água durante anos e se enterrar no final, em cova rasa e com a tromba aparecendo.
Acredite: amo a tecnologia quando ela transforma vidas de verdade e são tantos os exemplos, mas amaria ainda mais ver o Arquimedes voltar da eternidade e receber do Criador o ponto de apoio que ele tanto desejava. Aí então todos nós apreciaríamos o espetáculo do velho senhor da tecnologia colocando a terra no seu devido lugar... E totalmente sustentável!

 Princípios da Empresa Essencial  Tecnologia  1 Comentário(s) 30 de Janeiro de 2012

Natal bão de dó

Era uma vez eu no Natal parece que cantava. Não assusta não. Não fiquei doido. Por uma merdinha de tempo, uns minutos em que a inspiração de uma chuva de dó inundou meu mundo em volta, por esta merdinha de tempo eu decidi que canto, que tenho a voz mais linda do mundo, a voz que, combinada com minha sanfona, dá num conserto de Natal.

Não, não é concerto. Não me conserta não! Eu, cantando e pinicando umas teclas que fogem dos dedos esquecidos, eu cantando vou é fingir que conserto o mundo.

Sabe, viver é consertar o mundo, pelo menos se o vivente quer passar por esta vida e deixar aqui e ali algum desassossego quando for embora, uma tristeza de dó, que nem a chuva. Acho que Deus fez o mundo com um monte de defeitos. Lá na bíblia diz que o Poderoso, quando terminou de fazer, achou tudo uma belezura, mas eu acho mesmo que ele ficou ali uns... quarenta dias só espiando tudo e no final disse aquela palavra sábia que inaugurou a necessidade da Trindade e inaugurou a gente.

_ Saco!

É que ele, cansado de olhar e ver tudo no seu lugarzinho certinho de dó, que nem a saudade, achou que tava uma sengraceza danada, de maneiras que começou a desconsertar uma coisinha aqui, outra ali, até que no final desconsertou a gente, que ele tinha criado tão perfeitinho, eu tinha um livro quando era pequena que o Adão parecia ator de cinema de ação, todo malhado, mas todo arrependido, saindo do paraíso e olhando prá trás e dizendo:

_ Que merda que eu fiz!

Mas acho que Deus não tinha feito por mal, sabe, a  provocação. Ele tava era cansado de tanta coisa no seu lugar certinho e de perfeito já bastava ele, ou não bastava?

O Adão saiu do paraíso e acho que deve ter ficado mais de mês sem falar com a Eva, pondo nela a culpa de todo o acontecido, uma baita duma injustiça.Quando viu que não tinha remédio e deu nele aquele fogo, tenho prá mim que ele cantou também e cantou tão bonito que Deus, Lá do céu, Lá de dentro do Paraíso, atrás daquele murão que só veno, ficou tristinho de dó, igual a dó que sentiu com as coisa no lugar certinho, e resolveu mandar uma pomba voar bem alto e espreitar o que o Adão fazia e, se não fosse trabalho demais prá ela, acompanhar os dois, fosse no coito, fosse na rezação, que eles ainda rezavam, fosse na labuta, que remédio. Era o tal do Ispritosanto, com todo o respeito, como minha vó me ensinou, mas Ele não deu esse nome naquele dia, foi muito tempo depois quando o Filho dele deixou os companheiro abandonado de dó, que nem a tristeza de Deus, e chamou aquela pomba de novo prá dar conta do recado, que nós aqui na terra, eu aprendi no Salve Rainha, nós aqui na terra é só choro e ranger de dente, ainda mais torcendo pro Galo.

E por falar em galo, teve aquela história dos reis mago que eu nunca entendi. Eu já vi muito presidente fazer truque de endoidar, mas naquele tempo já tinha rei mago? E era mago mesmo, que nem no circo? Isso eu nunca entendi mesmo.

Eu sei é que eles andaram e foi quantidade atrás da estrela. Deus deve ter providenciado com a pomba prá não chover, se não a estrela sumia e eles iam parar era lá depois de Coromandel, eu nem sei onde fica Coromandel, mas com todo respeito com aquele povo, desde pequeno eu acho que é longe demais e então os reis mago iam se perder naquela lonjura.

O certo é que quando eles encontraram o menino Jesus deitado naquela palha, pobre de dó, que nem o abandono dos apóstolo, o certo foi que eles cantaram.Disse que eram os anjos com aquela magnificência toda, eita palavra bonita essa, imponente, coisa de rico,  mas como Jesus não era rico, ou pelo menos não constava, eu acho que os Reis tocaram foi uma moda bonita de viola que nem em Coromandel, que eu nunca fui, mas que lá deve tocar moda bonita assim.

E veio um tanto de pastor com vaca e boi, quando eu era pequeno a vaca do presépio Lá de casa era maior que o pastor na altura  e eu ficava encabulado com aquilo, devia ter uma explicação, mas não tinha, foi porque meu pai comprou cada um numa loja e quebrava um, colocava o outro e o que valia era a fé prá dar aquela harmonia em tudo.

Sinto saudade.

Acho que todo mundo deve sentir saudade. Adão deve sentir saudade. A Eva deve sentir saudade, os apóstolo, o povo de Coromandel, meu pai que foi embora esse ano e fazia um mucado de arte e não deixaram eu ficar com nadica de nada dele, nem prá ter raiva, que dirá prá ter saudade, fiquei com saudade só no coração. O Jesus deve sentir saudade também, até Deus.

E é aquela saudade de dó.

É por isso que quando eu sinto saudade eu canto, mas num canto com música, é só letra, que a poesia a gente faz com ela que nem travesseiro, embola bem emboladinho e dorme pensando em Deus.

Não sei que isso que me deu, uma coisa doida, um desatino, uma felicidade vasando do nariz de tão danada.

Uma hora vai passar,  mas enquanto não passa, eu desejo um Natal dos bão demais. Eu não sei como é o Natal em Coromandel, nunca passei, mas se for bão que nem parece longe, toma Lá um Natal de Coromandel proceis.

No dia certo do vinte e cinco, no horinha da meia noite, eu vou cantar de novo e se você ouvir meu canto, canta comigo, bem forte, que vai que Deus escuta e fica com a maior saudade da gente, aquela de dó, que nem tudo que é grande, e chama todo mundo de volta pro coração dele, tudo juntinho, tudo no bem bão, embolado que nem travesseiro.

 Ia ser o ó do borogodó!


 Amizade  Família    Felicidade  0 Comentário(s) 12 de Dezembro de 2011

Autonomia

É estranho quando se prova do próprio remédio. Estava em dúvida, semana de muitos questionamentos. Olhei pra cima. Estava ali o remédio que tanto receito: nossos princípios mandam que sejamos cristãos. E Deus me apontou a solução pouco mais abaixo: Clareza!

Acho que não estou sendo claro. Então vou tentar ser nesse preâmbulo.

Eu acredito em felicidade corporativa! A julgar pelos resultados dos buscadores na internet, muita gente acredita como eu. Mas não posso culpar você por não crer! Mesmo falando disso numa terra de descrentes, eis que é no que acredito.

Durante anos e anos eu me dediquei de verdade a isso. Meu propósito? O de tentar vencer um desafio, uma empresa que possa dar resultados e, ao mesmo tempo, produzir uma felicidade que seja mais genuína do que parques de diversão.

Você não sabe o que são os parques? Eu explico: empresas em que se premia muito os funcionários, de montes de maneiras diferentes, até o dia em que se passa por uma dificuldade qualquer. Aí o parque fecha, gente vai para a rua e você vê, de verdade, onde está trabalhando.

Por isso me interesso em tentar obter uma qualidade de vida mais genuína!

Nesse tempo fiz muitas descobertas...

Descobri que a felicidade corporativa não é algo poético, nem facilmente alcançável. Não adianta falar dela nem tentar fazer com que seja algo tangível e igual para todos. Não será.

Aprendi que empresas muito ruins para uns são muito boas para outros.

Aprendi que tem gente de mal com a vida e que sou muito susceptível a esse tipo de gente que, de verdade, estraga meu dia. Fico de mal também.

Aprendi que tem gente que gosta de viver na pressão, de trabalho, de dívidas, de infelicidade.

Aprendi que, nas empresas, o mal está, na maior parte das vezes, no outro, na situação, na própria empresa.

Aprendi que a maior parte das pessoas não sabe inglês porque a vida não lhe deu essa chance, muito menos a família, muito menos a empresa, muito menos todo mundo menos ele mesmo.

Aprendi que todos somos idealistas, desde que nossos interesses mais arraigados não sejam molestados.

Aprendi, e essa não foi por falta de aviso, que as pessoas não se interessam muito pelo que nós dizemos, mas pela forma como dizemos.

Aprendi que muitos deixam para a última hora aquilo que nem precisava ser feito, uma variante piorada e muito mais frequente do não-deixe-para-a-última-hora-o-que-pode-ser-feito-hoje.

Aprendi que, para muitos, não se deve sonhar. Se você sonha eles dizem que os sonhos as afogam e aí começam a lutar não contra cada um dos seus sonhos, mas contra o ato sagrado de sonhar, inclusive nas empresas.

Aprendi que todos, invariavelmente, são mal compreendidos, uma forma segura de garantir que a culpa seja sempre do outro e da empresa.

Eu poderia ficar falando horas e horas sobre tudo o que aprendi, mas há algo que aprendi que me é mais precioso: eu aprendi que preciso seguir em frente porque o preço de não seguir será a sua felicidade e a minha infelicidade e que, infeliz, eu fico muito mau, fico Frankenstein.

Eu não quero ser mau.

Eu tenho um sonho.

Então queria explicar como as pessoas se ajudam na empresa que estou construindo:

Nessa empresa as pessoas têm autonomia. Eu não sabia direito o que era autonomia até que uma amiga escreveu algo quase acidental e absolutamente fundamental: Ser autônomo é EMPREENDER com CONSEQUÊNCIA. Isso quer dizer que eu tomo decisões, ouso, avanço, crio, mas sou responsável pelas consequências de todas as decisões que tomo, pela minha ousadia, meus avanços, minha criação. Uma variante elegante do meu já famoso "cocô do cachorro", os que não conhecem podem conhecer no meu blog.

Nessa empresa perguntas são sagradas. Você deve ter aprendido na escola que perguntas não são sagradas, que podem ser feitas assim, com um certo desleixo, e se o professor não explicar direito, simples, a culpa é do professor.

Sinto muito, meu amigo, em fazer você descobrir que perguntas são muito sagradas. Quando você pergunta é como se você fecundasse o outro. O ato de perguntar é essencialmente um coito, algo como se engravidássemos o outro com a pergunta. Eu sou pai. Um pai de verdade espera nove meses por seu filho e durante nove meses pergunta. São as perguntas bem feitas que tornam o  filho de ambos e não da mãe.

Então, quando você me perguntar algo, por favor, me engravide. Você pode fazer isso colocando seu espírito na pergunta. Ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar. Então não me estupre. Me possua com amor como a uma donzela. Quero sentir você na pergunta, nas suas possibilidades de resposta, nas suas alternativas. Então a resposta será nossa e não minha.

Nessa empresa as pessoas são simples, trabalham de forma simples. É como eu queria educar minhas “filhas respostas”, com simplicidade.

Pretendo falar disso outra hora.

Por hora estou aqui, apenas esperando para um ato de amor. Eu que pensava que meu escrever não seria cristão, eis que surge a fórmula de São Paulo: o amor.

Perguntar e responder, ser autônomo e responsável é antes de tudo um ato de amor com o outro. É antes de tudo um ato de amor com você mesmo.

 Amizade  Colaboração  Ética    Felicidade  Gestão  Princípios da Empresa Essencial  2 Comentário(s) 24 de Outubro de 2011

A Empresa sem Papel

A empresa sem papel não é só questão de ambiente sustentável,
Mas de processos essenciais e sustentáveis.


(Artigo publicado na Revista Ecológico nro 36)



Vinte anos atrás conduzi uma campanha publicitária com spots de rádio que provocavam o ouvinte: “Os computadores vão comer os lucros da sua empresa, ou do seu concorrente. A escolha é sua”.

Pois foram estes vinte anos passados e, como sapos que morrem tranquilos em água lentamente aquecida, muitos viram a profecia se cumprir. As tais máquinas ocuparam espaços impensáveis, de pequenas biroscas até bancos sem agência, criaram e destruíram mercados e muitos de nós estivemos de um lado ou de outro, ganhando ou perdendo nossas margens.

Estamos sentados à beira de um caminho, vendo o mundo se transformar e esperando o momento de nos levantarmos com nossas empresas e voltarmos para o tráfego da transformação dos negócios. E que transformação! Tanta que não sabemos dizer se há um fim para esta rodovia de mudanças.

Empresários me procuram e dizem que avançaram muito, mas que, por dentro, pão bolorento, suas empresas ainda se afogam em papel, sem que os clientes, porta afora, percebam vestígio dele. É cada vez gastar mais e consumir mais esforço para manter o mesmo nível de serviço na ponta e terminar por ver um concorrente surgir e crescer debaixo de seus narizes.

Falta-lhes perceber o óbvio: não estão afogados em relatórios, emails impressos, desenhos, imagens, cadernos de jornais tradicionais, informação de toda ordem posta em formatos A4. O que os angustia são processos que não são essenciais, sendo papéis sua face mais perceptível e aterrorizante.

E o que são processos essenciais? Sem definições acadêmicas: procure o cliente na ponta do processo ou muito próximo dela. Se ele não estiver lá, então o tal processo é candidatíssimo a ser descartado, tornando sua empresa mais leve, mais focada, com mais resultados e, frequentemente, com mais qualidade de vida. Resumo da ópera: acabar com processos espúrios é acabar com papel!

O leitor ambientalista pode agora dormir em paz e comemorar? Digo que não, porque o papel de que falo não é só papel feito de celulose, mas também papel eletrônico, feito de bytes. Ele existe na forma de emails, imagens e projetos “para”, “em cópia” e “cópia oculta” e, convenhamos, é muita cópia e bytes são ariscos prá se perseguir e rasgar!

É aí que a Empresa Essencial tem tudo a ver com inovação porque o que fazemos de verdade, é descobrir ou inventar meios novos e mais simples de se cumprir a missão das organizações e porque a maneira mais fácil de se resolver um problema é não ter o problema. Parece óbvio, mas boa parte da tecnologia da informação nas organizações resolve problemas que nem precisavam existir e isso é jogar dinheiro fora.

Vinte anos depois eu ainda me lembro daquela campanha de rádio e de alguns de nossos concorrentes que nos deliciaram, ligando para nossos gerentes com xingamentos e desespero, diante de clientes que queriam pensar mais antes de fechar contratos. Num mundo de tablets, de gente conectada "todotempo", eu ainda continuo a dizer que os computadores vão comer os lucros da sua empresa ou do seu concorrente e que o papel, eletrônico ou não, ainda pode te matar afogado. Tanto num caso quanto noutro, a escolha, sinto muito, continua a ser é sua.

 Colaboração  Gestão  Gestão de Conhecimento  Inovação  Princípios da Empresa Essencial  Simplicidade Corporativa  Tecnologia  0 Comentário(s) 10 de Outubro de 2011

O gato não comeu

Cadê o papel que estava aqui? O gato não comeu! Quem acabou com ele foi o mercado. Faço o alerta como quem toma um banho fresco pela manhã. Não estou com pressa. Não estou numa luta. Tomo o tal banho, um café tranqüilo e digo que o tempo vai mostrar onde o papel é necessário e onde não é.

Não é um assunto passional. Não é um debate de arte em que eu, de um lado, queira acabar com livros. Combinemos que não incluo nesta classe nada que nos dê prazer pela beleza, pela estética. Disso falarei depois. Concordo com quem diz que papel bonito, com conteúdo, novo ou velho, tem cheiro e pode ser degustado pelos sentidos, o olfato sendo certo, porque livros, eu nunca comi.

Do que falo é das empresas e de seus processos. Se a tecnologia serve prá alguma coisa e serve, é para melhorar os processos das empresas. Isso muitas já aprenderam. Não falo só de um papel tocável, feito de floresta plantada ou destruída. Falo também do papel eletrônico, lá na ponta, dando em consumo de energia e daí em poluição, se não temos cuidado, quase do mesmo jeito.

Uma Empresa Essencial não tem nem um nem outro tipo! Ela filtra seus interesses e foca naquilo que é seu negócio principal. Ela usa a tecnologia de forma a multiplicar seu poder de gerenciamento e cria a sustentabilidade gerencial, quase sempre resultando em mais ganhos para si e mais qualidade de vida para os seus.

É claro, a empresa com quase nenhum papel (ainda chego a nenhum!) pode existir se não vencer o imaginário de que isso seja impossível. Uma dica? Coloque o belo no lugar dos armários. O belo é planta. O belo é arte. O belo é a vida. Você vai descobrir que pode viver bem sem as pilhas de memorandos, relatórios e, ai, meu Deus, emails impressos que todos os dias roubam sua paz só de olharem para você, porque eles têm olhos.

E saiba que eu vi: era uma vez uma empresa com um departamento de manutenção. Parecia mais uma caverna escura de filme de fantasma de tão suja, de tanta graxa, armário e... papel. Um dia o príncipe valente em forma de gerente geral da fábrica decidiu humanizar os espaços. Vai daí, o chefe da manutenção teve uma idéia. Ele retirou os entulhos, os armários, organizou tudo o melhor que pode e decorou sua manutenção com as samambaias que amava e ninguém sabia, com muita luz e ainda fez o favor de colocar bancos prá quem quisesse apreciar.

A história termina com um tanto de funcionários fazendo a sesta ali, onde ninguém pensou que um dia uma alma escolheria para curtir aquele cafezinho depois do almoço, sem pressa, em paz. Dizem que tinha até um gato que eu garanto, não foi ele quem comeu o papel.

 Colaboração  Gestão  Gestão de Conhecimento  Inovação  Princípios da Empresa Essencial  Simplicidade Corporativa  Tecnologia  0 Comentário(s) 4 de Setembro de 2011

Amor de Palavra

Artigo publicado na coluna GESTÃO EMPRESARIA E TI
da revista ECOLÓGICO, edição de agosto 2011

Uma empresa não se faz de respostas ou igualdades,
mas de perguntas e diferenças.



Deu  que uma vez eu, escrevendo, declarei amor a uma palavra: Quaerere. Amei-a como quem pela primeira vez ama e deseja que a pessoa amada penetre e perpetue sua vida. Quaerere era pergunta e desejo, misturados: era QUERER e PERGUNTAR.

Quaerere ficou sendo a musa que inspirava a Empresa que eu desejava construir: sentido verdadeiro do trabalho, e foi por isso que também desejei que todos amassem as perguntas e foi assim que tudo começou.

Quando outros em torno de mim se encantaram por ela, Quaerere me ensinou que era mais fácil falar que fazer! Muita vez que alguém amou Quaerere, dali nasceu uma pergunta e aquela filha bastarda, para mim, era traição. Quaerere queria que eu ouvisse e compreendesse e eu a desejava, mas só para mim.

Não foi na escola que conheci Quaerere. Lá só havia a verborragia de quem ensinava e o valor que me davam era se eu repetisse o ensinado e só assim diziam que eu sabia. Se amasse Quaerere naqueles anos, caía em desgraça.

Sem saber de sua existência, vim para a Empresa e fiquei como os da escola, achando que saber era repetir e que pertencer era ser igual. Diziam-me que isso era sabedoria, mas era apenas a habilidade de calar o outro, por argumentos ou cansaço.

Foi então que me apaixonei por ela: Quaerere! Mas amar certas palavras é amor de sofrimento. Eu, que faço o que não quero, como o apóstolo Paulo, fui ferido quase à morte quando descobri que palavras também traem e Quaerere era pergunta e era desejo e, quanto mais a desejasse, mais me dizia: não sou só tua, sou do mundo.

E foi depois disso que, resignado e inexperiente, entendi que a empresa que eu construía não era a pergunta para as respostas que eu tinha, mas a resposta para todas as perguntas que eu trazia e que as pessoas que comigo andassem no trabalho também amariam Quaerere e perguntariam e Quaerere também os saciaria. A Empresa precisava ser construída, todos os dias.

Quaerere não era mais minha palavra. A Empresa não era mais minha Empresa.

Certo de que minha palavra tivesse amantes, por vingança eu a traí. Já não amava mais as perguntas, só as respostas e, como os ditadores, só aceitava perguntas para as respostas que eu trouxesse prontas.

Mas que palavra paciente era Quaerere! Todos os dias visitava meu sono e perguntava a razão de tudo aquilo. Fingia que não ligava se eu amasse outras palavras, sucesso, riqueza, poder e deixava que eu tivesse noites de amor com elas em nosso próprio leito só para que, raiado o dia, eu compreendesse que somente o seu amor valia.

Então um dia, cansado, desabafei. Disse-lhe que todas as certezas que tinha não eram mais belas que ela e implorei que me ensinasse o segredo capaz de aproximar de novo as pessoas que, pouco e pouco, se haviam afastado de mim só porque eu a ignorava.

Quaerere sorriu e deu-me outra palavra, enquanto sumia no ar como um espírito que me atravessasse pela eternidade.

A palavra era Encanto.

E foi então que entendi que toda Empreitada, Casa, Empresa, Escola e todos que nelas vivessem compreenderiam as minhas palavras se eu os encantasse e era preciso encantá-los dia por dia, porque a vida sem encantamento era uma vida sem o deslumbro da pergunta e o prazer da resposta.

Levanto todos os dias com a missão de encantar e nem sempre, mas nem sempre mesmo, eu consigo e sempre que não consigo vejo que não ouvi, que só aceitei as perguntas para as respostas que tinha.

Quando não tiver mais nenhuma resposta é porque não precisarão me perguntar mais nada. Serei inútil e pleno e minha missão terá terminado. A Empresa Essencial, aquela em que buscamos o tempo todo o sentido da vida e do trabalho, terá finalmente nascido.

 Colaboração  Educação  Gestão  Princípios da Empresa Essencial  0 Comentário(s) 30 de Agosto de 2011

Revisitando a Empresa Essencial: O Princípio do Cuidado

Tem vez que a gente passa muito tempo dizendo algo e de tanto dizer... O sentido se perde! Quando isso acontece, temos que começar tudo de novo, pensar tudo de novo e contar tudo de novo.

Pois prá você que está chegando, vou começar a contar do começo, vou repetir cada um dos princípios essenciais e não vou fazer isso na ordem da minha cabeça, mas da minha intuição.

Começo insistindo, porque já disse, que eu não planejei onze princípios; que, de verdade, nem sabia que ia escrever princípios. Um dia, força da amiga July, saí andando, andando e, de tanto que eu andei, me veio na cabeça que o que a gente fazia na Plansis, não era sem tempo, tinha nome, podia ser contado e merecia ser ensinado, vinte anos de experiência, então.

Desta vez em que preciso recontar a história, vou fazer diferente, em vez de falando, lendo. Pensei de fazer assim, usar a cabeça dos outros, achar na internet, dito o que eu penso, ou quase igual, por gente que eu nem conheço, o que eu preciso falar.

Mãos à obra! A intuição me pede primeiro o PRINCÍPIO DO CUIDADO. Estamos em tempos de cuidado, cuidado de terra, cuidado de vida, mas o cuidado de que falo aqui é o cuidado do outro.

Caio na rede e decido procurar quem fale do cuidado falando de Gentileza Empresarial, me veio isso na cachola. O texto sorteado é da Marizete Furbino, escrito em 2008, cumprido o requisito de eu nem conhecer, e fala da importância da gentileza no trabalho. Chama-se Gentileza: a dama do Terceiro Milênio!
 
Vou cumprir a segunda parte da regra e reproduzir aqui, o amigo leia:

“Palavras gentis podem ser curtas e fáceis de falar, mas os seus ecos são efetivamente infinitos. (Madre Teresa de Calcutá)

Na era do terceiro milênio, relacionar-se de maneira autêntica, educada, sincera, cordial, respeitosa, amável, simpática, paciente, delicada, cortês, solidária, afável e gentil, tendo como pilar a empatia, a polidez e o apreço por todos que nos rodeiam, é o grande trunfo.

Ressalto que, no mundo dos negócios, é preciso reconhecer que esta dama do terceiro milênio, denominada gentileza, além de ter vez e voz onde quer que esteja, conduz o profissional ao destaque, permitindo que o mesmo faça a diferença.

Desse modo, o profissional do terceiro milênio deve ser gentil com todos dentro da organização em que atua, indiferente de quem seja e da posição que ocupa; portanto, desde o porteiro até a diretoria todos devem e merecem ser tratados com gentileza.

No mesmo sentido, uma empresa gentil além de enobrecer-se, atrai, conquista, fideliza, retém e mantém todos os stakeholders, porque contagia todos os envolvidos,conduzindo-os a somar habilidades, esforços, conhecimentos e talentos em prol de uma mesma sintonia, alcançando assim, resultados além do esperado; assim, a gentileza, além de propiciar um ambiente de trabalho agradável e harmonioso, contribui também no sentido do profissional despertar, criar valores, pensar e repensar sua práxis, exercendo o exercício de sua função de forma prazerosa, se doando e se entregando de corpo e alma, fazendo parcerias, criando, fidelizando, compartilhando e mantendo ? laços?, firmando vínculos advindos da integração, do comprometimento e do envolvimento, o que contribui e muito para além da eficiência, alcançar a eficácia, obtendo como resultado, o rebento denominado sucesso, em tudo que se propõe a fazer.

Igualmente é de notório conhecimento que pequenos gestos de gentileza fazem toda a diferença, uma vez que esses possuem o poder de transformar o ser humano, a empresa e o mundo, pois trazem consigo uma verdadeira magia, capaz de encantar as pessoas ao seu redor, capaz de mudar todo um contexto; assim, além de atenuar momentos difíceis carregados de tensão e de mal-estar, é bem capaz de converter qualquer comportamento hostil em cordial, capaz de converter a desumanização em humanização e isto faz bem não apenas à alma das pessoas, mas à empresa como um todo. Desta maneira, além de gerar bem-estar, possui o poder de render bons ?frutos? a todos os envolvidos; por conseguinte, é de suma importância cultuar e colocar em nossa práxis esta grande virtude denominada gentileza.

Trabalhar em prol do desenvolvimento desta virtude denominada gentileza se tornou fator sine qua non para obtermos um ambiente com uma atmosfera agradável, alegre e harmoniosa em nossa empresa. É importante salientar que quando agimos com gentileza, além de darmos o real valor e consideração às pessoas ao nosso redor, estamos mais dispostos a ajudar o próximo e a somar esforços, conhecimentos e talentos; por isso, a gentileza atrai, encanta e contagia as pessoas.

É sabido que a gentileza induz os profissionais a deixarem de lado a corrupção, o egoísmo e o individualismo. Em meio a tanta competitividade impera a busca desenfreada a todo custo pelo sucesso, o que causa estragos e danos muitas vezes irreparáveis. Logo, a gentileza provoca e conduz o profissional ao companheirismo, à ética, ao bom convívio e à integração, permitindo então que departamentos e profissionais executem suas funções de maneira mais entrosada, integrada, harmoniosa, interagida e inter-relacionada, consentindo desta forma, que dentro da empresa ocorra, além do respeito mútuo, sinergia, fator essencial para o alcance dos resultados no séc.XXI.

Sabedor de que um dos seus grandes benefícios é a sua contribuição para com a saúde, tanto do profissional, quanto da empresa, no que tange ao bem-estar advindo deste hábito, torna-se essencial que realizemos a monitoração de nossos comportamentos e atitudes diante dos fatos e diante das pessoas para que não apenas façamos da gentileza um hábito constante, mas também aprendamos a receber gentileza.

Fica evidente que em meio a tanta correria do dia-a-dia, o profissional do século XXI não poderá jamais abrir mão desta dama denominada gentileza, pois, deverá ter sabedoria suficiente para enxergar que ser gentil, faz todo um diferencial no mercado, constituindo assim vantagem competitiva.

Em adição ao já exposto, é importante salientar que, se o profissional do século XXI ainda não possui e/ou deixou adormecer esta valiosa virtude, o mesmo deverá repensar de forma urgente e emergente sua maneira de ser, suas atitudes e comportamentos, procurando resgatar, iniciar e cultivar este hábito; assim, começar a agir tendo como base esta grande virtude se torna compulsada aos que desejam pelo menos sobreviver neste cruel e competitivo mercado.

Insta dizer que o profissional do séc.XXI não se pode mais perder a oportunidade de ser gentil em nosso dia-a-dia, uma vez que o mesmo só tende a ganhar”.

Voltei! Isto dito por boca de outro, quero apostar que alguém vai dizer que o caminho não é esse. Eu, que como São Paulo sempre faço o que não quero, não sou gentil o tempo todo, mas tento. Tento, não consigo e erro...

Continuarei a tentar! Sei que não vou conseguir sempre e que vou errar, mas sei também que o mais difícil não é ser gentil quando se tem algo agradável a dizer, mas quando se precisa ser firme ou quando as notícias não são boas.

Sei que gentileza não é cumplicidade, sei que uma empresa exige muito da gente, sei que existe prazo, compromisso, cliente pressionando e que quando alguém for rude com você, se você errou isso não justifica o seu erro. Um coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.

Sei que as pessoas falham como eu falho e que algumas até falham querendo falhar e outras não querendo. Sei que a gente tem que aprender com o erro, sei de tudo isso mas, mesmo sabendo, continuo acreditando que a gestão não vai ficar pior se a gente for gentil.

Gerir é, antes de tudo, ter a capacidade de descobrir o que precisa ser feito e levar a equipe a fazer e se fizermos isso com gentileza e cuidado, tanto melhor.

Quero que saiba que a marca da nossa Empresa é a Empresa Essencial e que a marca da Empresa Essencial é a busca da gentileza prá gente alcançar o cuidado.

CONSTRUA ESSA MARCA. SEJA GENTIL E COBRE GENTILEZA.


 0 Comentário(s) 23 de Agosto de 2011

Nunca desista dos seus sonhos, mas, pelo amor de Deus, desista das idéias idiotas!

Eu tava em casa ontem, entre estudando o ciclo de Carnot com meu filho  e pensando no tanto de gente que me perguntou, afinal, de que idéias idiotas eu andei desistindo ultimamente.

Melhor explicando, lancei uma campanha antisséptica no twitter dias atrás: faça um bem à humanidade: desista de uma idéia idiota! É isso, entendeu?

Não, acho que não entendeu e acho que vai entender menos ainda quando eu disser que concluí que a vida é que nem a tal máquina de Carnot, duas isotérmicas alternadas com duas adiabáticas e temos o melhor desempenho de uma máquina térmica da classe.

Entendeu? Continuou não entendendo?
Vamos de novo: calor que entra, trabalho realizado, calor que sai e a gente não tem o rendimento 100 % porque aí era o zero absoluto e provavelmente a gente encontrava Deus, quero dizer, Deus é cem e não é zero, que eu tenho é muito respeito pelo Criador, sei lá se ele tá ouvindo.

_Credo, Roberto! Que raio de crônica é essa. Eu que estava esperando você falar do Francisco que saiu da sala do presidente e conversou com a secretária que tava gazeteando serviço no facebook  e você me vem com ciclo de Carnot?

Respira fundo. Vamos recomeçar.

Depois da conversa com a tal recepcionista, Francisco desceu pensativo num elevador solitário, ele e o elevador, e saiu pela avenida achando, cada vez mais, que as empresas são apaixonadíssimas pelas suas idéias, que nem sempre merecem tamanha paixão.

Ele foi pensando e pensando e, como diria o Beto do Vila Sésamo, acabou pensando um pensamento. Sabe o que ele pensou ou, na verdade, lembrou?

Não foi um quadrado. Foi que uma vez chamaram pra falar de sucesso numa escola. Tinha que definir sucesso e ele passou uma semana inteirinha quebrantado, pedindo pra o Todo Poderoso que iluminasse uma idéia brilhante e achou que Deus não  havia atendido de todo, mas acabou por inventar um emplasto, santo remédio que até fez muito sucesso na palestra, só pregar no corpo e o caboclo garantia o sucesso na vida, quero dizer, o sucesso do inventor do emplasto, tanto que ia vender. Do cliente mesmo era duvidoso...

Desde então, Francisco não sossegou! Continuou achando que devia ter outro jeito de definir sucesso até que ontem, pois é, ontem, me conta o Francisco que tava em casa estudando, pasme, depois de tantos anos, termodinâmica, deu com motores e isobáricas e isotérmicas e pensou que uma empresa é que nem um motor que tira calor de uma fonte quente e a entrega pruma fonte fria.

Tá bom, não foi bem assim, tão direto, foi mais de outro jeito que até deu equação:


Image:Nunca desista dos seus sonhos, mas, pelo amor de Deus, desista das idéias idiotas!

Francisco literalmente encontrou Jesus, ele que vinha simplificando a vida já fazia tanto tempo, descobriu num susto a fórmula do sucesso que consistia, tão singelamente, no sistemático descarte de idéias idiotas ao longo da vida inteira. Um cara que tivesse mais idéias boas que ruins ia ter sucesso, mesmo sendo um completo asno! Só precisava ter uma idéiazinha boa e nenhuma idiotice e tava na praça: 1 x 0!

Mas tinha coisa errada na equação. Não ia ter revista científica que topasse publicar uma matemática  desenvolvida assim, por intuição, sem fundamento teórico qualquer que sustentasse.

Francisco matutou e matutou e pensou nas reuniões com os tais presidentes das empresas falando de inovação, de idéias fantásticas, de metas, de objetivos e que tais e registre-se que  já andava desconfiado de tanta gente que havia inovado falando de inovação, mas isso era outra conversa.

Faltava algo, ele sabia e foi rabiscando o papel, até chegar em:

Image:Nunca desista dos seus sonhos, mas, pelo amor de Deus, desista das idéias idiotas!

Novo orgasmo!

Francisco estava em êxtase. Tinha a resposta para os males da humanidade. Podia desenvolver um modelo matemático que garantia um diagnóstico perfeito de qualquer empresa. Venderia milhões de um software muito melhor que o emplasto!

Olhou a fórmula e, de repente, nova inquietude: ainda faltava algo, mais precisamente o deus tempo. Num salto a fórmula se completou:


Image:Nunca desista dos seus sonhos, mas, pelo amor de Deus, desista das idéias idiotas!

Posto em notação científica, que ficava mais intelectual, vinha:







Image:Nunca desista dos seus sonhos, mas, pelo amor de Deus, desista das idéias idiotas!

_Meu Deus, meu Deus, onde estavas todo este tempo, que não me mostraste a luz desta equação?

Francisco pensou ter ouvido vozes, como de outras vezes em que Deus se manifestava para ele em geladeiras e a voz respondia:

_ Tentando fazer sucesso, meu filho, mas tive uma idéia idiota pela qual me apaixonei e tô levando um tempo enorme pra desistir dela, de modos que meu “S” tá baixinho...

Devia estar ficando louco. Francisco estava esgotado, era isso. Fazia dias que os amigos respondiam sua campanha e mandavam emails e notas perguntando como é que se fazia pra descartar idéias idiotas, queriam critérios, taxonomias, queriam um caminho seguro. Alguém chegou a sugerir a TABELA PERIÓDICA DA IDIOTICE, mas Francisco, pobre coitado, só tinha a equação da qual tanto se orgulhava. Mais nada.

Aproveitando que Deus se fazia presente ou que um ataque esquizóide tava correndo solto e ele ouvia vozes, o certo é que Francisco começou a revisitar seus sonhos e os sonhos de amigos, de empresários, de gente de toda sorte que conhecia e que agora, com sua maravilhosa equação, poderia ajudar.  Sabia que faltavam detalhes, sabia que, para tudo funcionar, ia precisar descobrir quando uma idéia era fantástica e quando era idiota, sabia que era preciso usar fé e intuição, mas estava absolutamente a-pai-xo-na-do pela sua descoberta e pela perspectiva de fazer sucesso com ela, desde que a implementasse e divulgasse rápido.

Tinha que comunicar com clareza seu achado, pensar numa frase de impacto que ajudasse os milhões de pobres almas pouco inovadoras e pouco criativas a fazerem tanto sucesso quanto Bill Gates ou o Eike Batista. Sabia que era revolucionário: como a equação tinha duas partes, se o cara não fosse O CRIATIVO, bastava jogar fora rapidamente todas as idéias idiotas que tivesse e o sucesso viria por consequência, ainda que um mínimo de idéias fantásticas ao longo de toda uma existência.

Deu no seguinte a tal frase de efeito: Francisco correu no twitter, correu no facebook e escreveu, quase atropelando as palavras e contando as letras para não estourar a contagem de caracteres:



Image:Nunca desista dos seus sonhos, mas, pelo amor de Deus, desista das idéias idiotas!

Pronto! Francisco releu mais uma vez o complexo texto científico que havia produzido e deu um sensacional ENTER, enquanto esperava as mensagens povoarem o imaginário de seus seguidores que, em breve, poderiam ser milhões. Afinal, as chances eram grandes de virar um top trend do twitter.

Estava feito.

Levantou-se da cadeira, pegou um copo d´água e ficou olhando para a pequena tela, aguardando os minutos, vá lá, talvez horas que o separavam do sucesso.

Um frio percorreu-lhe a espinha enquanto olhava a tela inesperadamente inerte. Lentamente rogou a Deus, que certamente devia estar mais interessado em resolver o próprio sucesso de sua criação, mas sempre com ouvidos para ouvi-lo:

_ Mas por qual dos dois eu começo?

 1 Comentário(s) 13 de Abril de 2011




Sobre

Saiba mais

Entradas recentes

Comentários recentes

Categorias

Links

Feeds